Uma viagem pela história do chá: dos tempos ancestrais ao século XXI

Originalmente chinês, o chá se espalhou pelo mundo graças ao seu sabor e hoje tem posição de destaque no mercado

Por Natália do Vale
O chá é uma das bebidas mais antigas do mundo e sua popularização deve-se, sobretudo, à presença de propriedades medicinais. Há várias lendas sobre o surgimento do chá, porém a mais conhecida remete-se aos tempos ancestrais da China, em 2737 a.C. Diz a lenda que o imperador Sheng Nong, conhecido como "curandeiro divino", na tentativa de resolver a grande incidência de epidemias, criou uma lei que obrigava a população a ferver a água antes do consumo.

Certo dia, ele estava repousando debaixo de uma árvore e algumas folhas caíram em sua xícara de água quente. Logo, o imperador percebeu que a bebida havia ficado colorida e, ao experimentá-la, notou que o sabor era bem agradável. A partir de então, o cultivo da planta e a degustação sob a forma de chá se espalhou pelo seu reino.

No século VIII, o monge budista da China, Lu Yu, elaborou a primeira obra sobre o chá, chamada Ch'a Ching, em que são descritas as melhores formas de se cultivar e preparar a bebida. Já no século IX, monges japoneses levaram algumas sementes – provenientes da China – para seu país, integrando o chá em diversos ambientes, inclusive o religioso.
Fonte: camelliate.it
A chegada do chá na Europa aconteceu por meio da Ásia Central e da Rússia, mas foram os portugueses quem, de fato, difundiram o uso da bebida no continente europeu no fim do século XV. Desde então, o chá alcançou outros países, como a França e a Holanda.

A partir do século XIX, o consumo do chá se espalhou fortemente também na Inglaterra e, por consequência, nos Estados Unidos, Austrália e Canadá. Apesar de ser de origem chinesa, o chá é uma bebida típica dos ingleses. Ao se casar com o rei da Inglaterra Charles II e se mudar para lá, a rainha Catarina de Bragança levou consigo folhas de chá, pois ela tinha o hábito de consumir a bebida.

Quando chegou ao país, a nova rainha foi o foco das atenções e, principalmente, as mulheres passaram a copiar seus costumes. Beber chá foi um deles. Atualmente, a bebida é consumida no mundo todo, inclusive no Brasil, e apesar de serem de fácil acesso, os chás adquiriram um status "gourmet".
A "gourmetização" do chá

Como todo produto alimentício, o chá assumiu uma posição de destaque no mercado, especialmente por proporcionar novas experiências aos consumidores. É muito comum, hoje, a preocupação por uma dieta alimentar saudável e equilibrada, e os chás se destacam justamente por serem naturais.

A estudante Gabriella Dias, 21, é apreciadora dos chás e afirma ingerir a bebida todos os dias. "Eu compro chá tanto em supermercados quanto em lojas "gourmet", que vendem o produto de forma mais natural", afirma. De acordo com Gabriella, os chás vendidos nesse tipo de loja são mais caros do que os comuns, mas a qualidade costuma ser superior.
Fonte: arquivo pessoal
"O chá importado é muito bom, apesar de ter um preço maior. Existem vários sabores e alguns são muito inusitados, como o de baunilha", diz. Aliás, muitas empresas têm investido na diversificação dos chás e na tendência de torná-los mais atraentes enquanto produtos.

É o caso da Tea Shop, uma loja de chá fresco a granel que surgiu na Espanha em meados dos anos 80 e hoje tem quase 100 lojas em seis países. De acordo com a assessoria da empresa, todos os produtos são elaborados com os melhores ingredientes e todo o processo é cuidadosamente supervisionado. A Tea Shop possui mais de 100 variedades de chás e infusões, além de xícaras e acessórios.

A loja disponibiliza uma vitrine completa de mesclas à escolha do consumidor, com opções por funcionalidade (digestivo, antioxidante, relaxante, energizante etc.), de acordo com a individualidade de cada apaixonado por chá (grávidas, veganos, crianças, idosos e outras). O público feminino (75%), com idade entre 18-30 anos e 31-40 anos, é o principal consumidor da marca. Isso mostra que beber chá não é só "coisa de vó".

A Tea Shop segue um padrão em todos os aspectos, desde o visual de loja, até mix de produtos. "Nosso maior desafio no Brasil é estimular a cultura do chá, que é muito forte na Europa e no Oriente. Estamos observando uma resposta muito positiva neste sentido".
Fotos: arquivo pessoal
Diante da pandemia provocada pelo novo coronavírus, a Tea Shop se viu com 100% de suas operações físicas fechadas pelos decretos de isolamento nos estados. A solução foi seguir o que a própria filosofia chinesa ensina. "No século 4 a.C., o sábio Zhuangzi escreveu sobre a importância de lidar com a realidade, usando-a sempre a favor em vez de lutar contra ela. Foi o que a Tea Shop fez. Com agilidade, impulsionou os canais de atendimento a distância, aumentou em 580% as vendas online e implantou o delivery com bons resultados durante a pandemia".

Além disso, focou-se em comunicar as reconhecidas propriedades dos chás e infusões para a saúde, como, por exemplo, o reforço da imunidade e o combate à ansiedade que afetou muita gente. "Identificamos que uma das tendências pós-pandemia será a busca por mais saúde e bem-estar. Se antes muitas pessoas já se preocupavam com qualidade de vida, a tendência será cuidar ainda mais do corpo e da mente", diz o CEO da Tea Shop, Michel Bitencourt. Em lives pelo Instagram, experts passaram a dar dicas sobre o preparo do chá e os benefícios da bebida.
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