Empreendimentos culinários surgem como estratégia de enfrentamento à crise

O desemprego causado pela pandemia motivou muitas pessoas a pensarem novas formas de empreender. A gastronomia é uma das opções

Por Natália do Vale

O isolamento social provocado pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) gerou uma crise financeira considerável na área comercial em todo o mundo. Segundo o IBGE , 716.000 empresas brasileiras fecharam as portas desde o surgimento do vírus, principalmente as de pequeno porte. É o caso da jornalista Rafaela Teixeira, 40, que decidiu fechar seu negócio de vendas de pedras egípcias, após a dificuldade de importação resultante da pandemia. Como alternativa à crise, ela e seu esposo abriram um empreendimento de comida árabe.

A empresa "Cairo Aky", em Goiânia, ainda é recente e, de acordo com Rafaela, não possui uma equipe efetiva nem funcionários. "Estamos dando os primeiros passos. Queríamos primeiro sentir a aceitação do público e, pouco a pouco, à medida que dermos conta da demanda, aumentar nossas ofertas", diz.
Fonte: arquivo pessoal
No momento, os envolvidos no negócio são ela – encarregada das vendas e da divulgação - e o marido – responsável pelas compras dos ingredientes, por fazer a comida e prepará-la para entrega. O negócio, contudo, ainda não está presente nas plataformas de entrega de refeições, como Uber Eats e iFood, meios bastante utilizados pelas pessoas, especialmente durante a quarentena.

"Por enquanto, estamos com divulgação via Instagram, Facebook e grupos de WhatsApp, onde os clientes falam diretamente comigo. As entregas são feitas por um amigo do meu marido", afirma. Apesar de ser uma culinária exótica, a comida árabe tornou-se bastante popular ao paladar brasileiro e já ocupa certo espaço na cidade de Goiânia. A concorrência existe e a necessidade de inovação é constante.

Novidade

"O sabor original do Egito é o diferencial da nossa empresa. Meu marido é egípcio e, por essa razão, conhece os sabores e formas de preparar os pratos típicos", menciona. Vários ingredientes da culinária árabe são encontrados no Brasil, como grão de bico, berinjela, tomate e alho. O diferencial da "Cairo Aky" são os temperos e as formas de cozinhar.
Rafaela não foi a única a ter que se reinventar profissionalmente. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, realizada com apoio do Ministério da Saúde (PNAD), a taxa de desemprego decorrente da pandemia atingiu a marca de 13,1% na última semana de junho, o que afetou cerca de 12,3 milhões de pessoas.

Independência financeira

A professora Fabiana Vendramini, 36, começou a vender produtos caseiros logo no início da pandemia, pois o berçário onde ela trabalha como coordenadora foi fechado em decorrência do isolamento social. "A abertura do 'Caseirinhos da Fabi' foi uma saída para uma possível falta de renda e também uma oportunidade de montar algo independente", afirma.

Fabiana faz todos os produtos com a ajuda da mãe e seu cardápio é bastante variado. "Faço quibe recheado, pão de batata, bolo de banana sem farinha, pão de queijo, biscoito suíço, pão de cenoura, bolacha mineira, pão italiano e de erva, além de cookie integral com coco e frutas", diz. Segundo ela, algumas receitas são de sua mãe, como o pão integral e a bolacha mineira.
Fabiana enfatiza o fato de que o processo de produção é totalmente seguro, já que muitas pessoas ficaram com medo de consumir comida por delivery. "Nós usamos touca, máscara, luvas e todas as superfícies são higienizadas com álcool 70%", conta.

Embora o negócio tenha surgido em um momento conturbado, a professora afirma que o "Caseirinhos da Fabi" permitiu que ela tivesse mais tempo com sua família, além de uma independência financeira. "Hoje, tenho mais tempo com o meu filho e consigo determinar o valor que eu ganho por mês. Isso me motiva a expandir cada vez mais o negócio", diz.
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