Efeito quarentena: pessoas se descobrem na cozinha

Em tempos de pandemia, cozinhar se tornou uma opção de entretenimento e de aperfeiçoamento pessoal

Por Natália do Vale
O isolamento social provocado pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2) modificou a rotina de milhares de pessoas ao redor do mundo. Como a maioria está em casa, algumas formas de entretenimento vêm sendo desenvolvidas para driblar a monotonia. Entre as opções de distração, cozinhar se tornou uma prática cada vez mais comum, especialmente porque os serviços de delivery podem ser foco de transmissão do vírus.

O empresário Ebert Guimarães, 39, já sente as mudanças e afirma que desde o início da quarentena decidiu testar algumas receitas para se distrair e evitar comida pronta. "A partir de então, fui inovando, acrescentei uma espécie de molho pesto ao pão; aprendi a fazer arroz, hambúrguer, almôndegas, frango assado, batatas recheadas", afirma.
Fonte: arquivo pessoal
Ele seguiu com as receitas e passou a cozinhar cada vez mais – com o acompanhamento de um bom repertório musical -, que, para ele, é um momento de distração.

Aliás, a necessidade de ficar em casa fez com que muitas famílias passassem a ter mais contato e diálogo, até mesmo na cozinha. Uma pesquisa feita pelo site ChannelMum.com aponta que o período de reclusão ofereceu aos pais um tempo maior com seus filhos, como é o caso de Ebert. "Às vezes, tenho a ajuda e a companhia das minhas filhas e é muito bom nos reunirmos para comer e conversar", conta.
Panelas e internet

Alguns, ainda, contam com a ajuda de programas televisivos - como reality shows – e canais no Youtube para experimentar novas receitas. A estudante Isadora Maria, 22, relata que a necessidade de ficar em casa fez com que ela procurasse alternativas para se descontrair e, por isso, passou a assistir vídeos com mais frequência.
Fonte: arquivo pessoal
"Os canais que ensinam a cozinhar se tornaram os meus favoritos nessa quarentena. Aprendi a fazer vários tipos de massas e carnes", afirma. Isadora não é a única a acompanhar esse tipo de conteúdo na internet. Através de um estudo sobre hashtags, o Youtube constatou que o número de visualizações em vídeos de receitas duplicou durante a quarentena, se comparado ao mês de março de 2019.

A análise verificou um aumento de 55% em conteúdos que citavam o termo "preparação de receitas". Isso indica que muitas pessoas despertaram o interesse pela cozinha nesse tempo de reclusão social. Isadora confirma esse fato. "Antes da quarentena, só sabia fazer o básico. Assistindo aos vídeos, descobri habilidades culinárias que nunca pensei ter", diz.

Para além da cozinha

Cozinhar em casa, além de entreter e evitar a contaminação pelo vírus, pode ajudar também na economia e na obtenção de uma alimentação mais saudável. Antes do isolamento, várias pessoas tinham o hábito de comer fora, especialmente pela falta de tempo ou pelas circunstâncias no ambiente de trabalho.

Por conta disso, muitos costumavam comer lanches rápidos, disponíveis nos famosos fast-foods. Na maioria das vezes, são alimentos altamente condimentados e industrializados, o que pode prejudicar a saúde em termos físicos e psicológicos. Mas, com a quarentena, esse cenário mudou e comer em casa tornou-se uma oportunidade para quem deseja se alimentar melhor.

O nutricionista Dener Nery, 25, garante que fazer as refeições em casa traz vários benefícios à saúde e pode, inclusive, evitar doenças crônicas como hipertensão e diabetes. “Cozinhar a própria comida possibilita um maior domínio dos ingredientes utilizados, tanto em qualidade quanto às condições de valores nutricionais", diz.
Fonte: arquivo pessoal
Ele afirma ainda que, em casa, é possível fazer a limpeza dos utensílios e das mãos adequadamente, assim como a higiene correta dos alimentos. Isso impede a contaminação por bactérias, que podem causar infecções alimentares.

"Evite produtos alimentícios que passaram por industrialização ou tiveram diversas modificações na sua formação nutricional. Leia sempre as informações contidas no rótulo e não consuma alimentos com alto teor de sódio, açúcar e gordura", conclui Dener.
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